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A população brasileira está envelhecendo. Isso é fato. Fato comprovado pelo Censo 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Antes de conversar sobre os dados, vamos lançar uma pergunta para que você reflita sobre o questionamento enquanto lê o texto: viver mais é sinônimo de viver bem?
Bom, agora sim, vamos para os números. Em 2022, a população acima de 60 anos ou mais era de 32.113.490, ou seja, 15,6% da população. Em 2010, havia 20.590.597 pessoas com mais de 60 anos no Brasil, o que representava 10,8% da população. Em pouco mais de uma década, o crescimento foi de 56%.
Pela projeção do IBGE, o envelhecimento da população é uma tendência para os próximos anos. A previsão é que em 2050, haja 68 milhões de brasileiros acima de 60 anos. Fez a conta? O número vai dobrar.
Todos esses dados e projeções são importantes para que o país pense nas políticas públicas para contemplar a população brasileira. No âmbito individual, não é diferente. Se você tem 30 anos ou mais hoje, em 2050 fará parte da parcela da população considerada idosa. E aí? Como você vai querer viver quando entrar na geração 60+?
Você pode seguir o seu rumo ao estilo “deixa a vida me levar” ou pode fazer escolhas hoje que serão extremamente benéficas para que você garanta segurança, autonomia e dignidade no futuro. É aí que entra o planejamento financeiro.
Como garantir o bem-estar na longevidade
Até bem pouco tempo atrás, falava-se em aposentadoria. O termo significa “recolher-se aos aposentos”. Hoje, esse conceito não cabe mais. Foi substituído por longevidade, que quer dizer literalmente “vida longa”. Ele surgiu para se adequar a uma nova realidade, que é o fato de estarmos vivendo mais.
Viver mais, mantendo o bem-estar, exige de todos nós uma mudança de postura. A planejadora financeira da Rio Wealth Plan, Karina Valadares, explica que a tendência é que os idosos fiquem velhos cada vez mais tarde. E isso implica sermos tomados por desejos de realização mesmo após os 60 anos, o que era raro antigamente.
Karina Valadares alerta que essa mudança nos leva a pensar na nossa realização pessoal enquanto legado, ou seja, transmissão de dons para o mundo. Entra aí o conceito de lifelong learning, que está associado à ideia da educação continuada, ou seja, da sede que o profissional tem por estar sempre aprendendo, se atualizando.
A longevidade pode ser significada como um período para revisitarmos sonhos, lembra Karina. Assim, as pessoas podem se colocar no mundo de maneira mais produtiva, ativa e, por consequência, até mais rentável. “Muitas vezes, no passado, as pessoas faziam uma escolha profissional relacionada à necessidade. E quando você chega à longevidade, a escolha pode ser motivada pelo desejo”, comenta Karina.
Outro ponto a ser considerado é que, ainda que façamos a escolha de investir no aprendizado e entregar novas habilidades para o mundo, eventualmente, não haverá uma remuneração. Por isso, é preciso fazer um planejamento. “Não adianta criar uma expectativa de que no futuro, poderemos realizar todos os nossos desejos porque teremos tempo. Reflita: viajar, curtir o dia, vivenciar experiências interessantes exige estabilidade financeira”, orienta Karina.
Prepare-se para a viagem
Envelhecer é como encarar uma viagem para o deserto. A analogia é feita pela escritora Ana Claudia Quintana Arantes no livro “Pra vida toda valer a pena”. Karina Valadares indica a obra para quem pretende se aprofundar mais no assunto. “A gente sabe o que nos espera no deserto e está à nossa disposição nos preparar ou não para encarar a viagem”, comenta Karina.
A preparação para encarar uma viagem para o deserto envolve ter boas condições físicas para enfrentar as longas caminhadas, reserva de água, protetor solar e agasalho para se proteger do frio à noite. Cabe a nós nos planejarmos para termos todos esses recursos disponíveis. “A longevidade é como uma viagem para o deserto mesmo. É a proximidade do fim, um desejo insaciável de realizar e, ao mesmo tempo, uma incapacidade de viver essa experiência de maneira inadequada, caso não preparemos para ela”, pontua a planejadora financeira.
O livro “4 dimensões de uma vida em equilíbrio”, de Jurandir Macedo, Martin Iglesias e Denise Hills também merece destaque quando se trata do planejamento para a longevidade. Ele ressalta a importância de se cuidar essencialmente dos aspectos físico, social, intelectual e financeiro.
Não importa a sua idade e nem mesmo se você ainda está longe de completar 60 anos. A longevidade é criada todos os dias a partir do hoje. Karina Valadares comenta que não adianta ter um estilo que vida que consuma muitos recursos financeiros se ele não vai ser sustentável ao longo do tempo ou te impeça de criar uma reserva para o futuro. “Faça essa revisão de vida agora”, sugere a planejadora.